Dr. Tito Paes de Barros Neto é médico psiquiatra. Supervisor do Ambulatório de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e assistente do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, publicou o livro Sem medo de ter medo – um guia prático para ajudar pessoas com pânico, fobias, obsessões, compulsões e estresse (Ed. Casa do Psicólogo, 2000).
Magali Alves Ribeiro – São José dos Campos/SP – Se as fobias levam as pessoas a desenvolver pânico, não seria melhor tratar logo esse transtorno?
Tito Paes de Barros Neto – Para responder essa pergunta é preciso estabelecer uma distinção conceitual. No transtorno de pânico, a pessoa pode ter ataques espontâneos. Em casa, dormindo, sem nada que justifique, pode ser tomada por uma onda de pavor tão grande que sente falta de ar e o coração dispara. Os sintomas são tão terríveis que ela passa o tempo todo ansiosa, temendo a próxima crise. É a chamada ansiedade antecipatória ou ansiedade de antecipação.
Nas fobias, o ataque de pânico é situacional, isto é, só um objeto determinado tem a capacidade de desencadeá-lo. Ao contrário dos transtornos de pânico em que pode não haver objeto fóbico, nas fobias específicas ele é muito claro. Por isso, o tratamento indicado é a dessensibilização.
Gisele Campana Fontino – Curitiba/PR – O que pode levar uma pessoa a desenvolver agorafobia?
Tito Paes de Barros Neto – Não se sabe ao certo o que leva uma pessoa a apresentar esse transtorno. Acredita-se que condicionamentos patológicos possam ser provocados por experiência aversiva, pelo ambiente em que a criança é criada e pela observação do modo de agir dos pais ou de outros adultos com os quais conviva. Por exemplo, se ela vê a mãe ficar apavorada diante de uma barata, infere que aquele inseto é perigoso. Ou se observa que a mãe treme inteira com medo da chuva e dos trovões, pode achar que essa situação é realmente ameaçadora e o quadro de fobia irá instalar-se por via da modelação ou da aprendizagem vicariante.
Marli Ladeira Teixeira – São Bernardo do Campo/SP – Existe cura definitiva para a agorafobia, ou as recaídas são inevitáveis?
Tito Paes de Barros Neto – Em medicina, só se fala em cura quando a causa da doença é bem definida. Se a pessoa com pneumonia causada por uma bactéria tomar antibiótico, a infecção será debelada. Nesse caso, pode-se falar em cura. Já nos transtornos crônicos em que a causa não é conhecida, podemos falar em tratamento e controle dos sintomas por meio de medicamentos e aplicação de técnicas de terapia comportamental, mas não em cura.