Gabriel Oselka é médico, professor de Pediatria na Universidade de São Paulo e presidente da Comissão de Imunizações da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo.
Drauzio - Essas vacinas constituem um pacote absolutamente obrigatório para todas as crianças e, felizmente, podemos contar com o Programa Nacional de Imunizações, citado como exemplo no mundo todo, que garante vacinação para a imensa maioria das crianças brasileiras. No entanto, hoje existem vacinas que não fazem parte desse esquema básico. Quais delas você incluiria no Programa?
Gabriel Oselka - Esse é o grande desafio do Programa Nacional de Imunizações que vem progressivamente implantando novas vacinas e ampliando seu espectro de cobertura. Há alguns anos foram introduzidas as vacinas contra hepatite B e contra o Haemophilus influenzae. No entanto, existem outras vacinas disponíveis comercialmente que ainda não foram incluídas no esquema. Na verdade, o fator limitante para sua inclusão é a disponibilidade de recursos. São vacinas muito caras e que ainda não são produzidas no Brasil. No momento, o desafio do Programa Nacional de Imunizações á tornar disponível para toda população infantil as vacinas contra o pneumococo, o meningococo C, a varicela ou catapora e contra a hepatite A. Sem respeitar uma ordem de prioridade, eu citaria a vacina contra o pneumococo, diferente da que se usa em idosos e em pessoas com doenças pulmonares e cardíacas. Essa vacina poderia ser dada a partir dos dois meses de idade para proteger contra formas graves de doenças causadas por essa bactéria, especialmente meningite e pneumonia. A vacina contra o meningococo C, que também pode ser administrada depois dos dois meses, oferece proteção contra a meningite C. Além dessas, duas vacinas importantes podem ser dadas a partir de um ano de idade: a vacina contra catapora e a vacina contra a hepatite A, uma doença mais benigna do que a hepatite B, que se adquire em alimentos contaminados e no contato interpessoal.