DrauzioVarella.com.br

Drauzio Varella.com.br

[ minha área ] [ entre ]
adicione

plugin de busca

buscar
  • estação saúde
  • entrevistas
  • artigos
  • espaço médico
  • interativo
    • infográficos
    • aplicativos
    • testes
  • enciclopedia
  • espaço cultural
    • conversas
    • livros
    • filmes
    • blog
Carregando...

Titulo

Mensagem

ok
  • Entrevistas >
  • coração

Ressuscitação

Primeira parte

 
reduzir / aumentar

Drauzio – Isso que aconteceu com o Adilson, um homem forte, um atleta profissional que teve uma parada cardíaca durante uma partida de basquete, é um fato comum ou raro?

Sergio Timerman – Como o próprio nome diz, a parada cardíaca, também chamada de morte súbita, ocorre de repente e de forma inesperada. No nosso meio, acima dos 40 anos de idade, é o evento responsável pelo maior número de casos fatais. Mata dez vezes mais do que a soma dos casos de AIDS, armas de fogo e câncer de mama. Se a pessoa não receber o atendimento imediato que Adilson recebeu no clube Paulistano, a possibilidade de sobrevivência é muito pequena.

Drauzio – Adilson teve a parada cardíaca jogando basquete, o que fez profissionalmente por muitos anos. Em que situações, ela pode ocorrer com mais freqüência?  

Sergio Timerman – Mais de 80% dos casos ocorrem nos próprios lares e, muitas vezes, são presenciados pos crianças e adolescentes. O restante acontece em locais de grande concentração, como shopping centers, estádios de futebol, etc.
Parada cardíaca é uma doença democrática: não escolhe sexo nem raça, e mais de 70% dos pacientes não chegam com vida aos hospitais.

Drauzio – Você disse que mais de 80% das mortes súbitas ocorrem dentro de casa. Esse é um dado realmente assustador...

Sergio Timerman – Para ser mais preciso, 84% das mortes súbitas que ocorrem fora do ambiente hospitalar acontecem em nossos lares. São nossos avós e, muitas vezes, nossos pais que morrem em frente de uma criança ou adolescente da família. Há uma estatística mostrando que em torno de 50% das crianças, neste momento, podem estar presenciando uma parada cardíaca.

Drauzio – Diante de alguém - o avô, por exemplo, - que está fazendo alguma coisa e de repente cai no chão, o que em geral se faz é colocar a pessoa num carro e levá-la rapidamente para o
hospital. Isso está certo?

Sergio Timerman – Se não fizermos absolutamente nada para socorrer essa pessoa no local em que sofreu a parada cardíaca, estaremos transportando um cadáver. O sucesso da ressuscitação depende de atendimento imediato. Isso foi discutido muito nos últimos cinco anos, e as Novas Normas de Ressuscitação pretendem, de maneira muito clara, simplificar a linguagem e
as manobras das normas de 2000. Mas, isso não basta. É importante alertar a população e treiná-la para que possa prestar socorro nos primeiros minutos depois que a pessoa sofreu a parada cardíaca.

Drauzio – Adilson disse que não sentiu nada quando teve a morte súbita. Lembra, apenas, que chegou ao clube, assistiu ao treino de pólo-aquático e acordou na UTI do Incor. Há sintomas que costumam preceder as paradas cardíacas e que ele não percebeu?  

Sergio Timerman – O caso do Adilson mostra bem o que pode ser a morte súbita. Com alguma freqüência, o primeiro sintoma do infarto é a parada cardíaca. A pessoa não sente absolutamente nada antes. O risco é maior nos indivíduos com antecedentes familiares da doença ou morte súbita, nos tabagistas, nos portadores de diabetes, de colesterol elevado e hipertensão, por exemplo. Esses deveriam fazer acompanhamento médico como forma de prevenção. Infelizmente, como muitos são absolutamente assintomáticos, é comum o primeiro sinal da doença ser a morte súbita.

Drauzio – Num caso como o do Adilson, que teve uma parada cardíaca batendo bola no meio da quadra, tentar levá-lo para o hospital seria o mesmo que transportar um cadáver?

Sergio Timerman – Adilson teve a sorte de ter a parada cardíaca no lugar certo e na hora certa. Fazia pouco tempo que o Instituto do Coração e o Clube Paulistano haviam desenvolvido um trabalho conjunto de treinamento de pessoal para prestar socorro nesses casos e ali estava um professor de Educação Física que sabia dar suporte de vida e manusear o desfibrilador instalado em pontos estratégicos do clube.

Drauzio – O que fez esse professor?

Sergio Timerman – Assim que Adilson caiu no chão, o professor viu que ele estava inconsciente e sem respirar e iniciou as manobras de ressuscitação, isto é, massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. Pediu, também, que lhe trouxessem o desfibrilador e chamassem o resgate.
Está documentado que tudo isso foi feito em menos de três minutos e que o sangue só voltou a circular espontaneamente depois da terceira descarga de choque. No entanto, quando o serviço de ambulância chegou, Adilson já estava respirando e foi transportado com vida para o hospital.

  • Primeira parte - Depoimento de Adilson Nascimento

    Drauzio – Quando você começou a praticar basquete?

    Adilson Nascimento – Com 15, 16 anos, durante minha vida escolar. Depois, entrei no Corinthians e, aos 19 anos, fui convocado para a seleção brasileira. Durante 13 anos, eu me dediquei à carreira de atleta.

    Drauzio – Quantas horas por semana você treinava naquela época?

    Adilson Nascimento – Até os 20, 21 anos, treinava três vezes por semana. Depois, o treino passou a ser diário e, em algumas ocasiões, chegamos a treinar duas vezes no mesmo dia.

    Drauzio – Quando você parou de jogar basquete, deixou também de praticar outras atividades físicas?

    Adilson Nascimento – Esse foi o meu erro: parei de vez. Depois de 30 anos dentro das quadras, assumi funções administrativas, vieram os convites para almoços e jantares e meus hábitos alimentares mudaram completamente. Com isso, uma série de problemas de saúde foi se instalando sem que eu percebesse.

    Drauzio – Nos negros, a incidência de hipertensão arterial é maior do que nos brancos. Você tinha pressão alta?

    Adilson Nascimento - Na época em que era atleta, minha pressão arterial era 11x7, 12x8. A mudança dos hábitos alimentares associada ao estresse e à correria próprios do mundo dos negócios, e mais o histórico familiar de hipertensão foram fatores importantes para que os níveis da minha pressão arterial aumentassem.

    Drauzio – Você estava tomando medicamentos para controlar a pressão?

    Adilson Nascimento – Vinha tomando medicamentos. Em determinado momento, porém, fui negligente e cometi o absurdo de suspender o uso desses remédios, porque achava que não eram mais necessários.

    Drauzio – O que aconteceu exatamente no dia 6 de abril de 2005?

    Adilson Nascimento – Existe um campeonato de veteranos que reúne todas as pessoas que    jogaram ou gostam de jogar basquete. É uma festa! No dia 6 de abril de 2005, me telefonaram para avisar que havia um jogo marcado para aquele dia. Como jogo em duas categorias, eu já tinha jogado no dia anterior. Por isso, minha primeira reação foi dizer que veterano não tem pernas para jogar dois dias seguidos. “Se você não vier, vai dar W.O.”, foi o que me responderam. Diante desse argumento, decidi ir para São Paulo. O jogo era no clube Paulistano. Lembro que entrei no clube, o juvenil de basquete estava treinando e fui ver o treino do time de pólo-aquático. Daí em diante, só me lembro de ter acordado dois dias depois na UTI do Incor. A pane no coração ocorreu durante o jogo, mas tudo o que sei a respeito ouvi dos meus colegas.  

    Drauzio – Você já estava jogando quando teve o problema?

    Adilson Nascimento – O que aconteceu comigo, um atleta, nesse dia, pode acontecer com qualquer outra pessoa. Eu estava jogando e dizem que já tinha marcado dez pontos naquela partida. Parece que vinha batendo a bola e caí desmaiado. Para minha felicidade (há pessoas que chamam isso de sorte ou atribuem o fato à providência divina), um professor de “fitness”, o Alexandre, estava assistindo ao jogo e prestou o primeiro socorro. Em menos de três minutos, apareceu alguém com o desfribilador e eu voltei a respirar.

    Drauzio – Quando você acordou?

    Adilson Nascimento – Acordei na UTI do Incor e achei que estava sonhando. Vi, então, os aparelhos e minha esposa ao lado de dois amigos mais próximos. Fechei os olhos novamente e concluí que algo muito grave tinha acontecido comigo.

    Drauzio – Na verdade, você tinha morrido quando caiu na quadra.

    Adilson Nascimento – Literalmente, morri naquele momento. Não fosse ter sido ressuscitado imediatamente pelo professor Alexandre no clube Paulistano, que espalhou sete ou oito desfibriladores em lugares estratégicos e treinou funcionários e professores para usá-los, não teria chegado com vida no Incor, um hospital de padrão internacional, onde fiquei sob os cuidados do Dr. Sergio Timerman e o Dr. Carlos Eid.
    Nem todos os clubes estão preparados para enfrentar situações como a que atravessei no Clube Paulistano. Muitos clubes de futebol, estádios esportivos e mesmo shopping centers não têm desfibriladores, um aparelho que salva vidas.

    Drauzio – O desfibrilador dá uma descarga elétrica no coração para fazê-lo retomar o ritmo. No seu caso, a que você atribui a necessidade de usá-lo?

    Adilson Nascimento – Eu vinha de uma vida estressada, com alimentação inadequada, tinha histórico familiar de pressão arterial elevada, era hipertenso e tinha deixado de tomar remédios. Era portador de muitos os fatores de risco para um acidente cardíaco.

    Drauzio – O que mudou na sua vida entre o episódio de cair morto na quadra e dar esta entrevista agora?

    Adilson Nascimento – Em abril de 2006, completo um ano de vida. Ninguém passa por uma experiência dessas sem mudanças. Passei a dar mais valor à vida agora e aumentou o reconhecimento que tenho por outras pessoas. Hoje, levantei uma bandeira. Com o meu testemunho, pretendo levar informação para que outras vidas sejam poupadas.

  • Segunda parte - Sérgio Timerman - Prevalência

    Drauzio – Isso que aconteceu com o Adilson, um homem forte, um atleta profissional que teve uma parada cardíaca durante uma partida de basquete, é um fato comum ou raro?

    Sergio Timerman – Como o próprio nome diz, a parada cardíaca, também chamada de morte súbita, ocorre de repente e de forma inesperada. No nosso meio, acima dos 40 anos de idade, é o evento responsável pelo maior número de casos fatais. Mata dez vezes mais do que a soma dos casos de AIDS, armas de fogo e câncer de mama. Se a pessoa não receber o atendimento imediato que Adilson recebeu no clube Paulistano, a possibilidade de sobrevivência é muito pequena.

    Drauzio – Adilson teve a parada cardíaca jogando basquete, o que fez profissionalmente por muitos anos. Em que situações, ela pode ocorrer com mais freqüência?  

    Sergio Timerman – Mais de 80% dos casos ocorrem nos próprios lares e, muitas vezes, são presenciados pos crianças e adolescentes. O restante acontece em locais de grande concentração, como shopping centers, estádios de futebol, etc.
    Parada cardíaca é uma doença democrática: não escolhe sexo nem raça, e mais de 70% dos pacientes não chegam com vida aos hospitais.

    Drauzio – Você disse que mais de 80% das mortes súbitas ocorrem dentro de casa. Esse é um dado realmente assustador...

    Sergio Timerman – Para ser mais preciso, 84% das mortes súbitas que ocorrem fora do ambiente hospitalar acontecem em nossos lares. São nossos avós e, muitas vezes, nossos pais que morrem em frente de uma criança ou adolescente da família. Há uma estatística mostrando que em torno de 50% das crianças, neste momento, podem estar presenciando uma parada cardíaca.

    Drauzio – Diante de alguém - o avô, por exemplo, - que está fazendo alguma coisa e de repente cai no chão, o que em geral se faz é colocar a pessoa num carro e levá-la rapidamente para o
    hospital. Isso está certo?

    Sergio Timerman – Se não fizermos absolutamente nada para socorrer essa pessoa no local em que sofreu a parada cardíaca, estaremos transportando um cadáver. O sucesso da ressuscitação depende de atendimento imediato. Isso foi discutido muito nos últimos cinco anos, e as Novas Normas de Ressuscitação pretendem, de maneira muito clara, simplificar a linguagem e
    as manobras das normas de 2000. Mas, isso não basta. É importante alertar a população e treiná-la para que possa prestar socorro nos primeiros minutos depois que a pessoa sofreu a parada cardíaca.

    Drauzio – Adilson disse que não sentiu nada quando teve a morte súbita. Lembra, apenas, que chegou ao clube, assistiu ao treino de pólo-aquático e acordou na UTI do Incor. Há sintomas que costumam preceder as paradas cardíacas e que ele não percebeu?  

    Sergio Timerman – O caso do Adilson mostra bem o que pode ser a morte súbita. Com alguma freqüência, o primeiro sintoma do infarto é a parada cardíaca. A pessoa não sente absolutamente nada antes. O risco é maior nos indivíduos com antecedentes familiares da doença ou morte súbita, nos tabagistas, nos portadores de diabetes, de colesterol elevado e hipertensão, por exemplo. Esses deveriam fazer acompanhamento médico como forma de prevenção. Infelizmente, como muitos são absolutamente assintomáticos, é comum o primeiro sinal da doença ser a morte súbita.

    Drauzio – Num caso como o do Adilson, que teve uma parada cardíaca batendo bola no meio da quadra, tentar levá-lo para o hospital seria o mesmo que transportar um cadáver?

    Sergio Timerman – Adilson teve a sorte de ter a parada cardíaca no lugar certo e na hora certa. Fazia pouco tempo que o Instituto do Coração e o Clube Paulistano haviam desenvolvido um trabalho conjunto de treinamento de pessoal para prestar socorro nesses casos e ali estava um professor de Educação Física que sabia dar suporte de vida e manusear o desfibrilador instalado em pontos estratégicos do clube.

    Drauzio – O que fez esse professor?

    Sergio Timerman – Assim que Adilson caiu no chão, o professor viu que ele estava inconsciente e sem respirar e iniciou as manobras de ressuscitação, isto é, massagem cardíaca e respiração boca-a-boca. Pediu, também, que lhe trouxessem o desfibrilador e chamassem o resgate.
    Está documentado que tudo isso foi feito em menos de três minutos e que o sangue só voltou a circular espontaneamente depois da terceira descarga de choque. No entanto, quando o serviço de ambulância chegou, Adilson já estava respirando e foi transportado com vida para o hospital.

  • Segunda parte - Sérgio Timerman - Novas Normas de Ressuscitação

    Drauzio – O que pouca gente sabe é que esses cuidados podem ser prestados por qualquer pessoa que esteja por perto e no local em que aconteceu a parada cardíaca. Como ninguém está livre de ter de enfrentar uma emergência dessas, gostaria que você explicasse quais os passos para atender alguém com morte súbita.

    Sergio Timerman – O socorro tem de ser prestado na hora exata em que ocorreu a parada cardíaca. Se a população leiga não estiver preparada para começar as manobras de ressuscitação imediatamente, a possibilidade de salvar a vida do paciente é muito pequena.

    São quatro os passos fundamentais determinados pelas diretrizes de 2005 com o intuito de simplificar, ao máximo, o atendimento por leigos.

    Primeiro: reconhecimento da parada cardíaca. De acordo com as normas anteriores, o primeiro passo era procurar a pulsação do paciente. Hoje, a instrução é verificar se há sinais de vida, ou seja, se a pessoa está consciente e respirando. Se tiver desaparecido o movimento respiratório do tórax, para cima e para baixo, e ele não responder perguntas simples, como “Você está bem?” ou “Você está me ouvindo?”,  trata-se de uma emergência cardíaca que exige atendimento rápido até a chegada do serviço médico de emergência.

    Segundo: pedido de resgate. Telefonar ou pedir que alguém telefone para o serviço de resgate (em São Paulo/SP, o número é 192) e pedir uma ambulância para uma pessoa com parada cardíaca.

    Terceiro: manobras de ressuscitação. As manobras de ressuscitação devem começar imediatamente e serem mantidas até a chegada do resgate. Para realizá-las, o socorrista deve tampar as narinas da vítima, distender seu pescoço, fazer duas respirações boca-a-boca e iniciar as 30 compressões torácicas com as mãos entrelaçadas, uma sobre a outra no meio do esterno, entre os dois mamilos. Em movimentos ritmados, ele deve jogar o peso do corpo enquanto faz a massagem. A cada 30 compressões, devem ser feitas mais duas respirações boca-a-boca.

    Quarto: aplicação do choque elétrico com o desfibrilador para reverter o processo de fibrilação ventricular, que se caracteriza pela perda de ritmo dos batimentos cardíacos, o que torna impossível o bombeamento do sangue.

    Drauzio – Na verdade, durante as compressões torácicas, é importante o socorrista jogar o peso do corpo sobre o peito da pessoa com parada cardíaca para não cansar antes da chegada do serviço de emergência.

    Sergio Timerman – Exatamente. Se ele flexionar os braços, vai cansar mais depressa e comprometer a qualidade da ressuscitação.

    Drauzio – No meu tempo de estudante, eram cinco compressões. Agora, são trinta. Por que mudou?

    Sergio Timerman – Antes de 2000, se houvesse um socorrista só, preconizavam-se cinco compressões e uma ventilação; se houvesse dois socorristas prestando socorro, quinze compressões e uma respiração boca-a-boca. Evidências científicas deixaram claro, porém, que quanto mais forem interrompidas as manobras de compressão, pior será o resultado da ressuscitação.  Por isso, passou para trinta o número de compressões torácicas recomendadas. Aliás, é mais importante fazer as compressões do que a ventilação boca-a-boca. De acordo com as novas diretrizes de 2005, a respiração boca-a-boca está sendo cada vez menos utilizada nos primeiros minutos da parada cardíaca.

    Drauzio – Vamos imaginar uma situação prática. A pessoa está caída, não responde ao chamado e o socorrista acha que ela não está respirando. Ele apóia as duas mãos entrelaçadas sobre o esterno, entre os dois mamilos da vítima e faz 30 compressões, mas pode não se sentir à vontade de realizar a respiração boca-a-boca. Isso prejudica a ressuscitação?

    Sergio Timerman –Nos grandes serviços médicos, observou-se que muitos profissionais não se sentiam à vontade para fazer a respiração boca-a-boca, especialmente quando não contavam com o sistema de barreira de proteção. Trabalhos realizados em Seattle (EUA), primeiro em animais e, depois em humanos, mostraram que, nos casos de parada cardíaca súbita, quando os leigos realizam apenas a compressão torácica, o benefício pode ser maior. 

    O coração está parado e as massagens no tórax fazem o sangue circular novamente nos órgãos vitais. A ventilação é importante, depois de oito, dez minutos. Antes disso, há reserva suficiente de oxigênio, a não ser nos casos de afogamento e hipoxemia (baixa oxigenação) infantil.

    Portanto, nos primeiros minutos depois da parada cardíaca, fazer compressão torácica sem respiração boca-a-boca é muito melhor do que não fazer nada. As novas diretrizes para o trabalho de ressuscitação deixam claro que a compressão torácica tem de ser de boa qualidade. Já existem serviços de emergência na Europa e nos Estados Unidos recomendando começar por ela e só depois fazer a respiração boca-a-boca.

    Drauzio – Por que 30 compressões?

    Sergio Timerman – Número maior de compressões, sem interrupções para a ventilação, aumenta o tempo de circulação do sangue pelo cérebro e outros órgãos vitais.

    Drauzio – Durante quanto tempo a pessoa deve ficar fazendo a massagem torácica?

    Sergio Timerman – Deve ficar fazendo as compressões até a chegada do serviço médico de emergência. Nem o leigo nem o profissional de saúde têm o direito de suspender as massagens antes disso.

  • Segunda parte - Sérgio Timerman - Uso do desfibrilador

    Drauzio – Por que o uso do desfibrilador é importante nesse momento?

    Sergio Timerman – O desfibrilador emite uma descarga elétrica para corrigir a fibrilação ventricular e fazer o coração bater novamente no ritmo adequado para bombear o sangue.

    Drauzio – O que é fibrilação ventricular?

    Sergio Timerman – Nada mais do que um caos elétrico que se instala no coração, que deixa de bombear o sangue. Não existe tratamento químico para corrigir esse defeito. Só a desfibrilação é capaz de revertê-lo. O desfibrilador automático foi idealizado especialmente para que os leigos pudessem usá-lo, como aconteceu no caso do Adilson.
    As novas diretrizes para ressuscitação, porém, deixam claro que o desfibrilador deve ser usado levando em conta o tempo da parada cardíaca. Até os quatro primeiros minutos, o choque é fundamental e provavelmente vai interromper o processo de fibrilação ventricular. Mais do que quatro minutos, o importante é fazer uma boa massagem cardíaca antes de aplicar a desfibrilação.

    Drauzio – Se o socorrista não puder contar com um desfibrilador, pode dar um choque com um fio elétrico na pessoa com parada cardíaca?

    Sergio Timerman – Não pode. Se fizer isso, vai eletrocutar a vítima.  A falta de desfibriladores no local obriga o socorrista a continuar fazendo as compressões no tórax do paciente até a chegada do serviço de emergência.
    Em São Paulo (SP) existe uma lei que torna obrigatório a instalação desses equipamentos em número suficiente nos locais de grande concentração para que a pessoa com parada cardíaca possa ser atendida antes que tenham passado os primeiros quatro minutos.

  • [ ver tudo ]
    • incorporar
      fechar
    • fechar
    • imprimir
    • compartilhar
      fechar facebook del.icio.us twitter myspace yahoo! bookmarks google bookmarks windows live digg
    • indicar erro
      fechar
      enviar
    • enviar para um amigo
      fechar
      enviar
  • Pesquisar sobre Ressuscitação

    Veja mais resultados de Ressuscitação

    • entrevistas

      Ressuscitação

      Adilson Nascimento foi um dos mais destacados atletas do basquete brasileiro. Durante muitos anos, jogou na seleção, sempre participando de competições internacionais. Hábil encestador,...
    • artigos

      Procedimentos medievais

      Quando seu Araújo disse que seria submetido a uma biópsia de próstata, alertei-o a não aceitar o exame sem anestesia. Que falasse com o médico antes do procedimento, mostrasse estar inf...
    • artigos

      O crime da camisinha

      "Preservativo tem de ser doado e ensinado como usar", disse o presidente, no Dia Internacional da Mulher. É a primeira vez que um presidente da República faz defesa tão contundente do u...
    • artigos

      Macacos intelectuais

      A inteligência do cachorro encanta os que com ele convivem; a dos macacos, então, nem se fala. Babuínos estabelecem hierarquias de comando e organizam estruturas sociais bastante comple...
    • artigos

      Dieta e violência

      Interferir com o comportamento antissocial através da dieta alimentar é uma ideia fora de moda que ganha roupagem moderna. Em 1892, o criminologista italiano Cesare Lombroso verificou q...
    • artigos

      Commotio cordis

      Commotio cordis é a morte súbita por arritmia cardíaca provocada pelo impacto de um objeto contra o lado esquerdo do tórax, sem haver fratura de costelas ou do esterno e sem ferir diret...
    • entrevistas

      Prevenção do infarto

      Drauzio - Qual a atividade física indicada para quem já teve problemas cardíacos? Carlos Alberto Pastore - Pessoas que já tenham apresentado problemas cardíacos exigem atenção especial....
    • entrevistas

      Reabilitação dos amputados

      Amputações fazem parte da história da Medicina há séculos. Num passado ainda recente, quando eram realizadas, o amputado ganhava um par de muletas e saía nelas apoiado. Depois surgiram ...
    • entrevistas

      Hérnia de disco

      Graça Barranovo - Santos/SP – Hérnia de disco pode aparecer em jovens? Osmar de Moraes – Pode. Primeiro por causa da tendência genética. Depois, porque alguns jovens fazem esforços exag...
    • entrevistas

      Memória e linguagem

      Drauzio - Como se faz para avaliar se a pessoa está realmente perdendo a memória? Cláudio Guimarães dos Santos - Como já mencionei, além de uma interação maior com o paciente e do conhe...
  • velhice
  • Gripe
  • Aids
  • Dor
  • Asma
  • Saúde
  • Hipertensão
  • sexo
  • Vídeos
  • Carandiru
  • Gravidez
  • H1N1
  • infográficos
  • IMC
  • obesidade
  • Cancer
  • Conjuntivite
  • Vacina
  • Dengue

Relacionados:

 
O que é hipertensão?
 
tv: O que é hipertensão?
 
Colesterol (Parte 1)
 
rádio: Colesterol (Parte 1)
Trombose
 
rádio: Trombose
Trombose
 
rádio: Trombose
Trombose
 
rádio: Trombose
Arritmia Cardíaca O coração é um órgão muscular contrátil constituído por duas bombas se...
entrevistas
Arritmia Cardíaca O coração é um órgão muscular contrátil constituído por duas bombas se...
entrevistas
Cansaço ou estresse? Às vezes, o indivíduo chega em casa  depois de um dia de trabalho...
entrevistas
Cirurgia do coração Ao redor de 1950, o número de pessoas que sofriam ataque cardíaco come...
entrevistas
Cirurgia do coração Ao redor de 1950, o número de pessoas que sofriam ataque cardíaco come...
entrevistas
  • TERMOS MAIS PROCURADOS:
  • Anemia
  • Asma
  • Câncer
  • Conjuntivite
  • Gravidez
  • Gripe
  • H1N1
  • IMC
  • Malária
  • Pneumonia
  • Sinusite
  • sobre
  • sugestões
  • anuncie
  • biografia
  • serviços
  • créditos
  • prêmios
  • política de privacidade
  • termo de uso
enviar

Por determinação do Conselho Regional de Medicina estamos impossibilitados de emitir opiniões ou pareceres médicos pela Internet.
Utilize este espaço para sugestões, críticas e opiniões sobre nosso trabalho.

Atenciosamente,

EQUIPE SITE DRAUZIO VARELLA

fechar

  • apoio:
  • Siga o Dr. Drauzio Varella no Twitter
  • Prêmio IBest