Mayana Zatz é professora de Genética Humana e Médica do Departamento de Biologia, Instituto de Biociências da Universidade São Paulo, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano – IB -, presidente da Associação Brasileira de Distrofia Muscular e membro da Academia Brasileira de Ciências.
Drauzio – Você que é uma mulher apaixonada pelo que faz, com um trabalho maravilhoso de pesquisa, como vê o futuro da Genética?
Mayana Zatz – Acho que a Genética é a ciência do século e conta com um potencial de crescimento fantástico. Confesso que quando comecei a estudar Genética, embora fosse apaixonada por essa área, não tinha a menor noção de que pudesse desenvolver-se tanto. E a cada dia me surpreendo mais. São fantásticas as perspectivas de tratamento das doenças genéticas tanto por terapia com células-tronco como por substituição de enzimas. Saber que cada doença contará com uma estratégia diferente de abordagem e tratamento é espetacular para quem trabalha com genética e anteriormente fazia apenas cálculos para levantar a probabilidade de uma pessoa apresentar mutação.
Hoje, não é preciso calcular mais nada. Um teste revela se a mutação existe e o mais surpreendente que estamos aprendendo agora é verificar que ela pode não ser determinante. Às vezes, pessoas da mesma família com a mesma mutação apresentam quadro clínico bastante diferente. Essa é a razão de querermos entender por que, apesar de uma mutação patogênica determinar a ausência de uma proteína, algumas pessoas têm um quadro leve. Descobrir o que protege essas pessoas vai indicar caminhos muito importantes para futuros tratamentos.
Drauzio – Isso explica por que apenas um dos gêmeos univitelinos, às vezes com 100% de identidade genética, manifeste uma doença genética?
Mayana Zatz – O fator ambiental também pesa e, quando se fala em ambiente, sabe-se que pode fazer diferença até a posição do feto no útero materno.